Transplante de fígado: o que esperar antes, durante e depois
Postado em: 10/04/2023
Atualizado em 2 de outubro de 2026.
O fígado é um dos órgãos mais importantes para a digestão porque ele tem a função de metabolizar e armazenar nutrientes, que só ficam prontos para serem absorvidos e utilizados pelo organismo após passarem por ele.
É considerado um órgão, mas ao mesmo tempo é uma glândula. Seu tamanho e seu peso variam de pessoa para pessoa. O fígado se localiza na parte superior direita do abdômen próximo ao estômago. Algumas doenças podem causar insuficiência hepática, levando ao falecimento do órgão e, consequentemente, à necessidade de um transplante.
O transplante de fígado é uma cirurgia complexa que pode ser necessária em casos de doenças hepáticas avançadas ou falência do órgão. Leia o artigo para entender as etapas deste procedimento cirúrgico.

O que leva a um transplante hepático?
O transplante de fígado pode ser indicado quando o órgão se encontra gravemente comprometido e deixa de funcionar, como pode ocorrer em caso de cirrose, hepatite fulminante ou câncer neste órgão, em pessoas de qualquer idade, inclusive crianças.
A cirrose hepática – dano irreversível das células hepáticas – é a condição mais frequente que leva ao transplante de fígado. Ela ocorre quando a anatomia normal do fígado é substituída por tecido de cicatrização, o que deteriora sua função.
As doenças que comumente levam ao transplante de fígado são:
- Cirrose por hepatite crônica por vírus B ou C.
- Doenças que comprometem as vias biliares, incluindo a atresia de vias biliares na infância.
- Doença hepática alcoólica.
- Hepatite autoimune.
- Doença hepática gordurosa não alcoólica.
- Doenças metabólicas na infância.
- Tumores hepáticos primários.
- Hepatites fulminantes (drogas e vírus).
Somente um cirurgião do aparelho digestivo pode recomendar o tratamento mais adequado para doenças hepáticas, após uma avaliação minuciosa e individualizada.
Tipos de transplante
Existem dois tipos de transplante de fígado: através do doador cadáver ou do doador vivo. No doador cadáver são utilizadas técnicas que preservam a veia cava do corpo falecido. Já o doador vivo consiste em retirar uma ou mais partes do doador saudável para transplante no receptor com doença hepática terminal.
No transplante de fígado com doador cadáver é considerado como doador ideal uma pessoa jovem, sadia, que foi atendida imediatamente após o evento que a vitimou e que não tenha deterioração de órgãos vitais.
Já no transplante intervivos, o doador deve ser um adulto sadio, sem nenhuma alteração anatômica, do qual é retirada parte do fígado. Os riscos para o doador são avaliados caso a caso pela equipe médica, e toda cirurgia envolve riscos.
Ambos os tipos de transplante são cirurgias delicadas. Uma diferença é que o tempo de duração varia conforme o caso; nos intervivos, como envolvem duas cirurgias (doador e receptor), a duração tende a ser maior. Esta cirurgia é bem mais complexa por envolver técnicas de microcirurgia, em que os vasos sanguíneos e os ductos biliares são muito finos.
Como é feito o transplante de fígado?
A duração do transplante de fígado varia conforme o caso. O fígado doente é retirado por uma incisão no abdômen superior. Posteriormente, o fígado do doador é colocado na cavidade abdominal e os vasos sanguíneos (veias supra-hepáticas, veia porta e artéria hepática) são suturados nas respectivas estruturas do receptor.
A última etapa do transplante é a reconstrução de via biliar, que pode ser feita com o ducto biliar do receptor ou com um segmento de intestino, como nos casos de transplante para atresia de vias biliares na criança.
Após a cirurgia, os pacientes são acompanhados em unidade de terapia intensiva, e o tempo de permanência nessa unidade varia conforme a evolução clínica e cirúrgica de cada paciente. O tempo de internação hospitalar pós-transplante também varia de caso a caso.
Após a alta hospitalar, o paciente deve seguir rigorosamente todas as orientações médicas, incluindo visitas regulares ao médico, exames de acompanhamento e medicamentos prescritos. O processo de recuperação pode ser longo e desafiador, entretanto, o retorno às atividades normais varia conforme a evolução de cada paciente e deve seguir a orientação médica.
Imunossupressão
A chave para entender o tratamento pós-transplante é o conceito de que o órgão transplantado é um corpo estranho. O sistema imune do receptor vai atacar o fígado transplantado num processo chamado “rejeição”. Por esta razão, todos os pacientes transplantados utilizam medicações que combatam a rejeição, as chamadas drogas imunossupressoras.
A despeito do uso dos imunossupressores, alguns pacientes transplantados podem apresentar elevação das enzimas hepáticas no período inicial após o transplante. Esse achado pode estar associado a rejeição celular aguda, que costuma ser tratada com corticosteroides, conforme a avaliação da equipe médica.
Episódios de rejeição aguda, quando tratados adequadamente, em geral não determinam diminuição da vida do enxerto de fígado. A evolução varia conforme cada caso e é acompanhada pela equipe médica.
Perguntas frequentes sobre transplante de fígado
O transplante de fígado é indicado só para quem tem cirrose?
Não. A cirrose é uma das condições que levam ao transplante, mas hepatite fulminante, doenças das vias biliares e tumores primários do fígado também estão entre as causas citadas. A indicação depende da avaliação de cada paciente.
Quem pode ser o doador do fígado?
O doador pode ser uma pessoa falecida ou uma pessoa viva e saudável, que cede parte do fígado. Os riscos para o doador são avaliados caso a caso pela equipe médica, e toda cirurgia envolve riscos.
Depois do transplante, é preciso tomar remédios?
Sim. O organismo reconhece o fígado transplantado como um corpo estranho, por isso o paciente usa medicações imunossupressoras para combater a rejeição, com acompanhamento regular e exames de controle.
A avaliação do caso é feita por cirurgião do aparelho digestivo (RQE 110400), que pode esclarecer dúvidas sobre a indicação cirúrgica. Entre em contato e agende sua consulta.
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Dr. Fabrício Ferreira Coelho · MÉDICO · CRM-SP 104.317 · Cirurgia Geral (RQE 110399) · Cirurgia do Aparelho Digestivo (RQE 110400) · área de atuação em Cirurgia Videolaparoscópica (RQE 1103991)