Ablação por radiofrequência em tumores do fígado: quando é considerada
Postado em: 09/10/2023

Atualizado em 1 de outubro de 2026.
A ablação por radiofrequência é um tratamento que destrói o tumor do fígado com calor, por meio de uma agulha posicionada no nódulo com ajuda de exame de imagem. Em geral, é considerada em tumores pequenos, como no carcinoma hepatocelular inicial, quando a cirurgia não é opção, e a indicação depende da avaliação de cada caso.
Um nódulo no fígado traz termos novos de uma só vez: ablação, ressecção, transplante. Neste texto, explico o que é a ablação por radiofrequência, em que situações ela é considerada segundo as diretrizes, quais são os seus limites e como se decide a conduta.
O que é a ablação por radiofrequência no fígado?
A ablação por radiofrequência é um método de ablação térmica: uma agulha fina emite corrente de radiofrequência, o tecido ao redor da ponta esquenta e as células do tumor são destruídas. Ela trata apenas o nódulo, sem retirar parte do fígado, e por isso costuma ser pensada para lesões pequenas.
O exame de imagem orienta o posicionamento da agulha, que pode atravessar a pele ou ser colocada durante uma operação, conforme o caso. Quando o tumor é maior ou há muitas lesões, outras condutas entram na conversa, como a cirurgia.
Em quais situações a ablação por radiofrequência é considerada?
Segundo as diretrizes da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), no carcinoma hepatocelular em estágio inicial, a técnica ablativa local, como a radiofrequência, é uma alternativa à cirurgia em pacientes que não são candidatos à ressecção. Ou seja, o método entra, em geral, quando o tumor é pequeno e a cirurgia não é opção.
As Diretrizes de tratamentos oncológicos para carcinoma hepatocelular da SBOC, publicadas em maio de 2025, descrevem esse papel para os estágios iniciais da classificação BCLC (0 e A). O carcinoma hepatocelular é um tumor que se origina nas células do próprio fígado. Quando o paciente aguarda um transplante, a ablação também aparece entre as opções de tratamento ponte, como explico nas perguntas frequentes.
A ablação por radiofrequência serve para metástases no fígado?
Em casos selecionados, sim. A Conitec, comissão do Ministério da Saúde que avalia tecnologias no SUS, publicou em 2024 um relatório sobre a ablação térmica na metástase de câncer de cólon e reto no fígado que não pode ser operada ou tem alto risco cirúrgico. A indicação depende do número, do tamanho e da localização das lesões.
O relatório da Conitec sobre ablação térmica, de 7 de março de 2024, trata de metástases do câncer colorretal. Para metástases de outros tumores, a conduta é avaliada caso a caso, com base nos exames.
Quais são os limites da ablação por radiofrequência?
A ablação por radiofrequência não atende todo tumor do fígado. As diretrizes da SBOC apontam como perfil mais adequado os tumores com menos de 3 cm, em número menor que 3 e sem ascite, e indicam que o limite é de 5 lesões e 5 cm de diâmetro. Tumores fora desse perfil pedem outra avaliação.
Além do tamanho e do número, a localização do nódulo e a proximidade de vasos e de outros órgãos entram na avaliação do caso. É a imagem, junto com o histórico do paciente, que mostra se o ponto pode ser tratado com segurança.
A ablação por radiofrequência tem riscos?
Sim. Como todo procedimento que envolve punção, anestesia e calor perto de órgãos vizinhos, a ablação por radiofrequência tem riscos, e eles variam conforme o tamanho e a localização do tumor e as condições do paciente. O médico que indica o procedimento explica esses riscos antes, e a decisão é compartilhada com o paciente.
Na consulta, eu explico cada opção disponível para o caso, com o que ela trata e o que ela não trata, desde o diagnóstico.
Como se decide entre ablação, cirurgia e transplante?
A decisão sai da avaliação do caso: tamanho, número e localização dos nódulos, função do fígado e condições clínicas do paciente. Ablação, ressecção cirúrgica e transplante são opções diferentes, e a indicação de cada uma depende desse conjunto, não da preferência por um método.
Na consulta, eu avalio os exames de imagem e o histórico do paciente; quando os exames são enviados antes, eu os vejo antes da consulta. Na minha prática, a via segue a indicação, nunca a tecnologia: se o caso pede cirurgia aberta, a cirurgia é aberta, e em alguns casos nenhuma cirurgia é necessária. Para entender a cirurgia, leia sobre cirurgia de fígado: quando é indicada e como é avaliada e sobre o transplante de fígado no carcinoma hepatocelular. O panorama das opções está em formas de tratamento do câncer no fígado.
Quando procurar um cirurgião para um tumor no fígado?
Dor abdominal intensa, vômito com sangue ou desmaio são sinais de urgência e pedem pronto-atendimento. Já o nódulo ou tumor no fígado visto em exame de imagem, ou o diagnóstico de câncer de fígado, justifica consulta para discutir o tratamento. Esse quadro pede avaliação com um cirurgião do aparelho digestivo.
Perguntas frequentes sobre a ablação por radiofrequência no fígado
A ablação por radiofrequência substitui a cirurgia?
Nem sempre. Segundo a SBOC, ela é uma alternativa à cirurgia para pacientes que não são candidatos à ressecção, e a escolha entre os dois caminhos depende da avaliação do caso.
A ablação por radiofrequência é o mesmo que a quimioembolização?
Não. São métodos diferentes, e a diretriz da SBOC os cita como opções distintas, ao lado da ressecção, para o tratamento ponte antes do transplante.
O que é o tratamento ponte antes do transplante?
É o tratamento que mantém o tumor sob controle enquanto o paciente espera por um transplante. A SBOC orienta oferecê-lo quando se prevê uma espera superior a seis meses, e a terapia ablativa está entre as opções.
Leve os laudos do fígado para uma consulta
Cada tumor do fígado pede uma decisão própria, e a avaliação do caso vem antes da escolha do método. Para avaliar o seu caso, entre em contato com o meu consultório, com a tomografia ou a ressonância em mãos, se já as tiver. Sou o Dr. Fabrício Ferreira Coelho, cirurgião do aparelho digestivo (RQE 110400) que atende casos de tumores do fígado.
Dr. Fabrício Ferreira Coelho · MÉDICO · CRM-SP 104.317 · Cirurgia Geral (RQE 110399) · Cirurgia do Aparelho Digestivo (RQE 110400) · área de atuação em Cirurgia Videolaparoscópica (RQE 1103991)
Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica.