Ressecção Hepática: o que é, Tipos de Hepatectomia e Quando é Indicada
Postado em: 03/04/2023
Atualizado em 2 de outubro de 2026.
Quando o fígado desenvolve alguma complicação, é importante buscar avaliação médica. Muitas vezes, uma forma de tratamento indicada é a cirurgia, que chamamos de hepatectomia.
A hepatectomia, conhecida também como ressecção hepática, é a cirurgia de retirada parcial ou da totalidade do fígado.
O procedimento pode ser realizado através da técnica aberta ou convencional, com incisões na parte superior do abdômen do paciente. E também pode ser feito por meio de vídeolaparoscopia, através de uma microcâmera introduzida em uma pequena incisão.

Quais são os principais tipos de hepatectomia?
Conforme dissemos, o objetivo da hepatectomia é a remoção de uma parte ou da totalidade do fígado.
Mas, embora esse seja sempre o intuito, existem alguns tipos diferentes dessa cirurgia, cuja indicação dependerá do volume e da parte do órgão a ser retirado. O fígado é constituído de dois lobos (direito e esquerdo) e estes são divididos em vários segmentos, numerados de um a oito. É possível remover um ou vários segmentos em diversas combinações.
Entre os tipos principais, podemos destacar:
Hepatectomia total
Procedimento realizado em casos de transplante de fígado. Consiste na remoção total do fígado que é substituído por outro, proveniente de um doador com morte encefálica ou de uma parte de outro, proveniente de um doador vivo.
Hepatectomia direita
É feita a retirada do lobo direito do fígado.
Hepatectomia esquerda
Quando apenas o lobo esquerdo do órgão é removido na cirurgia.
Segmentectomia
Quando apenas um segmento do fígado é retirado.
Trisegmentectomia direita
O lobo direito e a metade medial do lobo esquerdo do fígado são retirados.
Lobectomia lateral esquerda
Quando os segmentos 2 e 3, correspondentes à metade lateral do lobo esquerdo, são removidos na cirurgia.
O procedimento pode ser realizado tanto por via aberta, com uma incisão na parte superior do abdômen, quanto por cirurgia minimamente invasiva: via laparoscopia ou robótica.
O tipo de cirurgia escolhido depende da gravidade e situação da região afetada e somente um cirurgião do aparelho digestivo, após diagnóstico minucioso, pode indicar a técnica mais adequada ao caso.
Quando a hepatectomia é indicada?
Geralmente, a hepatectomia é indicada para o tratamento de cistos, nódulos ou tumores primários do fígado, ou de metástases hepáticas, que são tumores malignos (câncer) de outros órgãos que desprendem e vão pela corrente sanguínea se instalar no fígado.
O procedimento só é feito se o paciente estiver em bom estado de saúde, de maneira que o tumor possa ser removido e uma parte saudável permaneça.
A maioria dos casos de câncer de fígado impedem que o órgão seja completamente removido, pois muitas vezes a doença já se disseminou para outras regiões ou o tumor apresenta um tamanho maior.
Quando o paciente apresenta cirrose, mesmo que seja removida apenas uma pequena quantidade de tecido hepático, o fígado remanescente pode ser impedido de realizar suas funções normalmente.
Desta forma, então, pacientes com essa doença só podem realizar a cirurgia se o tumor for pequeno e parte da função hepática possa ser mantida, sem que sua saúde seja comprometida.
Funções do fígado
O fígado é um anexo do sistema digestório e é considerado um dos maiores órgãos do corpo humano, localizado na parte superior direita do abdômen, próximo do estômago. Está relacionado com funções importantes do nosso corpo, tais como a regulação do metabolismo de vários nutrientes (proteínas, carboidratos e lipídios), síntese de proteínas e outras moléculas, degradação de hormônios, armazenamento de substâncias, como o glicogênio, e excreção de substâncias tóxicas.
Além disso, o fígado participa da produção de hemácias no embrião e destrói essas células quando estão velhas, bem como sintetiza alguns fatores de coagulação.
Apesar das diversas funções do fígado, uma das principais e mais conhecidas é a formação e secreção da bile. Ela apresenta basicamente duas funções primordiais: excreção de algumas substâncias e a emulsão das gorduras, que ajuda na digestão e absorção dos lipídios.
Na bile são eliminadas, principalmente, toxinas, substâncias presentes em drogas e a bilirrubina. Esse processo é conhecido como detoxificação hepática.
É possível viver sem uma parte do fígado?
O fígado possui a capacidade de se regenerar, então, quando é retirada uma parte dele, já começa o processo de recuperação e multiplicação de suas células.
Assim sendo, a resposta é sim, em casos selecionados: a pessoa que tem uma parte do fígado removida pode viver com o fígado remanescente, conforme a avaliação médica, e todo procedimento cirúrgico envolve riscos.
Em pacientes com fígado normal e em bom estado de saúde, a extensão do fígado que pode ser retirada é definida pela avaliação médica, pois o tecido remanescente é capaz de hipertrofiar e regenerar. Em pacientes com cirrose, a quantidade que pode ser removida é menor, porque a capacidade de regeneração está prejudicada. Nessa situação, muitas vezes, o transplante com a remoção de todo o fígado doente e a troca por um, ou parte de um, com função normal pode ser uma opção, conforme a avaliação médica.
Perguntas frequentes sobre ressecção hepática
Quando o médico indica a retirada de parte do fígado?
Em geral, para tratar cistos, nódulos, tumores primários do fígado ou metástases hepáticas. A cirurgia só é feita quando o paciente está em bom estado de saúde e o tumor pode ser removido, preservando uma parte saudável do órgão.
O fígado volta a crescer depois que uma parte é retirada?
Em pessoas com fígado saudável, o tecido que permanece pode se regenerar e aumentar de volume. Em quem tem cirrose, essa capacidade está prejudicada, por isso a quantidade que pode ser retirada é menor.
Toda ressecção do fígado exige um corte grande no abdômen?
Não necessariamente. A cirurgia pode ser aberta, com incisão na parte superior do abdômen, ou por videolaparoscopia, com uma microcâmera introduzida por uma pequena incisão. A escolha depende da situação da região afetada.
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Dr. Fabrício Ferreira Coelho · MÉDICO · CRM-SP 104.317 · Cirurgia Geral (RQE 110399) · Cirurgia do Aparelho Digestivo (RQE 110400) · área de atuação em Cirurgia Videolaparoscópica (RQE 1103991)