Horario de Atendimento:
SEG À SEX 8h às 20h

Doença de Crohn e retocolite ulcerativa: quais as diferenças?

Postado em: 05/12/2022

Ilustração sobre doença de Crohn e retocolite ulcerativa

Atualizado em 1 de outubro de 2026.

Doença de Crohn e retocolite ulcerativa são as duas doenças inflamatórias intestinais, crônicas e recidivantes. A diferença está no local e na profundidade da inflamação: a doença de Crohn pode atingir qualquer parte do tubo digestivo, e a retocolite ulcerativa atinge a camada interna do cólon e do reto, segundo o GEDIIB e o Ministério da Saúde.

Diarreia que não passa, dor abdominal que volta e sangue nas fezes levam muita gente a pesquisar esses dois nomes, que costumam aparecer juntos. Neste texto, explico o que cada doença é, como se diferenciam, como a investigação é feita, quando a cirurgia entra e quando procurar avaliação. Os dados clínicos vêm do Grupo de Estudos da Doença Inflamatória Intestinal do Brasil (GEDIIB) e do Protocolo Clínico do Ministério da Saúde para a doença de Crohn.

O que são a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa?

As duas são doenças inflamatórias intestinais, segundo o GEDIIB: condições crônicas e recidivantes, ou seja, que podem voltar a dar sintomas depois de uma fase de calmaria, e que geram inflamação no intestino. Para o Ministério da Saúde, a causa da doença de Crohn ainda não está bem definida.

Para o panorama do grupo, leia também o texto sobre a importância do diagnóstico precoce das doenças inflamatórias intestinais.

Como a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa se diferenciam?

A doença de Crohn pode atingir qualquer trecho do tubo digestivo, da boca ao ânus, de forma segmentar e em toda a espessura da parede do intestino, com mais frequência no íleo, no cólon e na região do ânus. A retocolite ulcerativa atinge a camada interna do cólon e do reto e raramente chega ao intestino delgado.

A descrição da doença de Crohn (segmentar, assimétrica e transmural) está no protocolo do Ministério da Saúde; a da retocolite ulcerativa, no material do GEDIIB.

Quais são os sintomas da doença de Crohn e da retocolite ulcerativa?

Dor abdominal e alterações do hábito intestinal, como diarreia ou constipação, são os sintomas descritos pelo GEDIIB para as duas doenças. Nas formas mais graves, o grupo acrescenta sangramento retal, perda de peso repentina, cansaço ou fraqueza e aftas. A intensidade e a combinação variam conforme o caso.

No momento do diagnóstico da doença de Crohn, o protocolo do Ministério da Saúde registra a diarreia como o sintoma mais comum, seguida por dor abdominal (70%), perda de peso (60%) e sangramento (40% a 50%). O mesmo documento cita febre, palidez, fístulas e fissuras perianais entre os sinais frequentes.

Nenhum desses sinais é exclusivo de uma das doenças, e eles também aparecem em outras condições, como a síndrome do intestino irritável. Por isso o sintoma sozinho não fecha o diagnóstico.

Existe um exame único que confirma a doença de Crohn ou a retocolite ulcerativa?

Não. Segundo o Ministério da Saúde, o diagnóstico da doença de Crohn é confirmado pela avaliação clínica somada a investigações bioquímicas, endoscópicas, histológicas ou radiológicas, conforme a equipe assistente julgar necessário. Na retocolite ulcerativa, o GEDIIB aponta a colonoscopia e as biópsias como fundamentais para a investigação.

Em geral, o gastroenterologista define quais exames pedir. A colonoscopia permite ver a mucosa do intestino e colher material para análise. Quando o paciente envia os exames antes da consulta, eu os analiso antes de atendê-lo.

O acompanhamento clínico elimina a doença?

O acompanhamento clínico não elimina a doença de Crohn nem a retocolite ulcerativa. Segundo o GEDIIB, as duas são crônicas e recidivantes: os sintomas podem voltar depois de uma fase de calmaria, e um período sem queixas não significa que a doença acabou. Por isso a avaliação médica continua depois que os sintomas melhoram.

Quando a cirurgia entra no tratamento?

Segundo o Ministério da Saúde, a cirurgia deve ser considerada na doença de Crohn diante de estenose sintomática do cólon, estenose longa (mais de 5 cm) do intestino delgado e fístula dentro do abdômen que não responde ao tratamento com medicamentos. O GEDIIB cita complicações que levam à cirurgia, da drenagem à retirada do segmento inflamado.

O mesmo protocolo estima que entre 50% e 80% das pessoas com doença de Crohn precisarão de cirurgia em algum momento da evolução, principalmente por estenoses, falta de resposta ao tratamento clínico ou complicações com fístulas. Isso não significa que todo caso termine em operação: a indicação depende da avaliação individual. Na minha prática, a via cirúrgica segue a indicação, e há casos em que não é preciso operar. Para um panorama das operações, veja os tipos de cirurgias do aparelho digestivo.

Quando procurar avaliação médica?

Diarreia que persiste, dor abdominal que se repete, sangue nas fezes e perda de peso sem causa aparente pedem consulta médica, porque aparecem nas duas doenças segundo o GEDIIB e o Ministério da Saúde. A primeira avaliação costuma ser com o gastroenterologista, e a cirurgia entra quando surgem complicações.

Dor abdominal intensa que não cede, febre com piora do estado geral, vômitos persistentes ou sangramento abundante não esperam consulta marcada: procure um pronto-atendimento. Para entender o momento de ir ao especialista clínico, leia quando devo ir ao gastroenterologista.

Quem já tem o diagnóstico e apresenta estenose sintomática ou fístula que não responde ao tratamento medicamentoso deve conversar com o médico sobre a possibilidade de cirurgia. Esse quadro pede avaliação com um cirurgião do aparelho digestivo.

Perguntas frequentes sobre a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa

Qual médico acompanha a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa?

Em geral, o gastroenterologista conduz o diagnóstico e o acompanhamento clínico. Como cirurgião do aparelho digestivo, entro no cuidado quando há complicações ou possível indicação cirúrgica.

A doença de Crohn aparece só em jovens?

Não. O protocolo do Ministério da Saúde informa que ela começa com mais frequência na segunda e na terceira décadas de vida, mas pode afetar pessoas de qualquer faixa etária.

Dor abdominal e diarreia sempre indicam doença inflamatória intestinal?

Não. Esses sintomas também aparecem em outras condições, como a síndrome do intestino irritável, e a investigação médica serve justamente para distinguir uma causa da outra.

Leve as mudanças do seu intestino para uma consulta

Diarreia que não passa, dor abdominal que se repete ou sangue nas fezes merecem avaliação médica. Para avaliar o seu caso, entre em contato com o meu consultório. Sou o Dr. Fabrício Ferreira Coelho, cirurgião do aparelho digestivo (RQE 110400), e atendo casos de doenças do intestino com possível indicação cirúrgica; o acompanhamento clínico da doença de Crohn e da retocolite ulcerativa costuma ser feito por gastroenterologista.

Dr. Fabrício Ferreira Coelho · MÉDICO · CRM-SP 104.317 · Cirurgia Geral (RQE 110399) · Cirurgia do Aparelho Digestivo (RQE 110400) · área de atuação em Cirurgia Videolaparoscópica (RQE 1103991)

Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica.


O que você achou disso?

Clique nas estrelas

Média da classificação 5 / 5. Número de votos: 3

Nenhum voto até agora! Seja o primeiro a avaliar este post.